terça-feira, 29 de maio de 2012

ESPIRITISMO: ANTECEDENTES

Os fenômenos de comunicação, ou “suposta comunicação” com o chamado mundo dos mortos, sempre existiram e sempre chamaram a atenção da humanidade. Esse fato comprova, no mínimo, a preocupação do homem com o que o espera além da vida. A dúvida, como afirma Hamlet*, em seu monólogo, nos impede de dar fim à existência e aos nossos sofrimentos por medo do desconhecido pais do sono eterno. Sono? Será mesmo sono? Haverá sonhos? Como serão esses sonhos? E, na dúvida, Hamlet, não ultrapassou as regras do trânsito cósmico e nem eu nem você devemos fazê-lo.
          Pois essa curiosidade leva os mais ousados, ou portadores de uma faculdade natural, a realizar experiências de contatos imediatos de um grau ainda não catalogado. E vez por outra acontece uma espécie de “onda de fenômenos”.

AS IRMÃS FOX E OS FENÔMENOS DE HYDESVILLE

Era o que estava acontecendo no século XIX, por volta da década de 1840. Nos Estados Unidos da América, em 1847, a família Fox instalou-se em uma casa modesta na povoação de Hydesville, no estado de Nova Iorque, distante cerca de trinta quilômetros da cidade de Rochester.O grupo compunha-se do chefe da família, Sr. John D. Fox, da esposa Sra. Margareth Fox e de mais duas filhas: Kate, com 11 e Margareth, com 14 anos de idade. O casal possuía mais filhos e filhas. Entre estas, Leah, mais velha, que morava em Rochester. Inicialmente, apenas Margareth e Kate tomaram parte nos acontecimentos. Posteriormente, Leah juntou-se a elas e teve participação ativa nos episódios subsequentes ao de Hydesville.A fonte mais conhecida e divulgada sobre o ocorrido em Hydesville é o depoimento da Sra. Margareth Fox que consta no livro História do Espiritismo de Arthur Conan Doyle:
"Na noite da primeira perturbação, todos nos levantamos, acendemos uma vela e procuramos pela casa inteira, enquanto o barulho continuava e era ouvido quase que no mesmo lugar. Conquanto não muito alto, produzia um certo movimento nas camas e cadeiras a ponto de notarmos quando deitadas. Era um movimento em trêmulo, mais que um abalo súbito. Podíamos perceber o abalo quando de pé no solo. Nessa noite continuou até que dormimos. Eu não dormi até quase meia-noite. Os rumores eram ouvidos por quase toda a casa. Meu marido ficou à espera, fora da porta, enquanto eu me achava do lado de dentro, e as batidas vieram da porta que estava entre nós. Ouvimos passos na copa, e descendo a escada; não podíamos repousar, então conclui que a casa deveria estar assombrada por um Espírito infeliz e sem repouso. Muitas vezes tinha ouvido falar desses casos, mas nunca tinha testemunhado qualquer coisa no gênero, que não levasse para o mesmo terreno.
Na noite de sexta-feira, 31 de março de 1848, resolvemos ir para a cama um pouco mais cedo e não nos deixamos perturbar pelos barulhos: íamos ter uma noite de repouso. Meu marido aqui estava em todas as ocasiões, ouviu os ruídos e ajudou a pesquisa. Naquela noite fomos cedo para a cama – apenas escurecera. Achava-me tão quebrada e sem repouso que quase me sentia doente. Meu marido não tinha ido para a cama quando ouvimos o primeiro ruído naquela noite. Eu apenas me havia deitado. A coisa começou como de costume. Eu o distinguia de quaisquer outros ruídos jamais ouvidos. As meninas, que dormiam em outra cama no quarto, ouviram as batidas e procuraram fazer ruídos semelhantes, estalando os dedos.
Minha filha menor, Kate, disse, batendo palmas: "Senhor Pé-Rachado, faça o que eu faço". Imediatamente seguiu-se o som, com o mesmo número de palmadas. Quando ela parou, o som logo parou. Então Margareth disse brincando: "Agora faça exatamente como eu. Conte um, dois, três, quatro" e bateu palmas. Então os ruídos se produziram como antes. Ela teve medo de repetir o ensaio. Então Kate disse, na sua simplicidade infantil: "Oh! mamãe! eu já sei o que é. Amanhã é primeiro de abril e alguém quer nos pregar uma mentira".
Então pensei em fazer um teste de que ninguém seria capaz de responder. Pedi que fossem indicadas as idades de meus filhos, sucessivamente. Instantaneamente foi dada a exata idade de cada um, fazendo uma pausa de um para o outro, a fim de os separar até o sétimo, depois do que se fez uma pausa maior e três batidas mais fortes foram dadas, correspondendo à idade do menor, que havia morrido.
Então perguntei: "É um ser humano que me responde tão corretamente?" Não houve resposta. Perguntei: "É um Espírito? Se for dê duas batidas." Duas batidas foram ouvidas assim que fiz o pedido. Então eu disse: "Se foi um Espírito assassinado dê duas batidas". Estas foram dadas instantaneamente, produzindo um tremor na casa. Perguntei: "Foi assassinado nesta casa?" A resposta foi como a precedente. "A pessoa que o assassinou ainda vive?" Resposta idêntica, por duas batidas. Pelo mesmo processo verifiquei que fora um homem que o assassinara nesta casa e os seus despojos enterrados na adega; que a sua família era constituída de esposa e cinco filhos, dois rapazes e três meninas, todos vivos ao tempo de sua morte, mas que depois a esposa morrera. Então perguntei: "Continuará a bater se chamar os vizinhos para que também escutem?" A resposta afirmativa foi alta.
Meu marido foi chamar Mrs. Redfield, nossa vizinha mais próxima. É uma senhora muito delicada. As meninas estavam sentadas na cama, unidas uma à outra e tremendo de medo. Penso que estava tão calma como estou agora. Mrs. Redfield veio imediatamente, seriam cerca de sete e meia, pensando que faria rir às meninas. Mas quando as viu pálidas de terror e quase sem fala, admirou-se e pensou que havia algo mais sério do que esperava. Fiz algumas perguntas por ela e as respostas foram como antes. Deram-lhe a idade exata. Então ela chamou o marido e as mesmas perguntas foram feitas e respondidas.
Então, Mrs. Redfield chamou Mr. Duesler e a esposa e várias outras pessoas. Depois, Mr. Duesler chamou o casal Hyde e o casal Jewell. Mr. Duesler fez muitas perguntas e obteve as respostas. Em seguida, indiquei vários vizinhos nos quais pude pensar, e perguntei se havia sido morto por algum deles, mas não tive resposta. Após isso, Mr. Duesler fez perguntas e obteve as respostas: Perguntou: "Foi assassinado?" Resposta afirmativa. "Seu assassino pode ser levado ao tribunal?" Nenhuma resposta. "Pode ser punido pela lei?" Nenhuma resposta. A seguir, disse: "Se seu assassino não pode ser punido pela lei dê sinais." As batidas foram ouvidas claramente. Pelo mesmo processo Mr. Duesler verificou que ele tinha sido assassinado no quarto de leste, há cinco anos passados, e que o assassínio fora cometido à meia-noite de uma terça-feira, por Mr.; que fora morto com um golpe de faca de açougueiro na garganta; que o corpo tinha sido levado para a adega; que só na noite seguinte é que havia sido enterrado; tinha passado pela despensa, descido a escada, e enterrado a dez pés abaixo do solo. Também foi constatado que o motivo fora o dinheiro.
"Qual a quantia: cem dólares?" Nenhuma resposta. "Duzentos? Trezentos?" etc. Quando mencionou quinhentos dólares as batidas confirmaram.
Foram chamados muitos dos vizinhos que estavam pescando no ribeirão. Estes ouviram as mesmas perguntas e respostas. Alguns permaneceram em casa naquela noite. Eu e as meninas saímos. Meu marido ficou toda a noite com Mr. Redfield. No sábado seguinte a casa ficou superlotada. Durante o dia não se ouviram os sons; mas ao anoitecer recomeçaram.
Diziam que mais de trezentas pessoas achavam-se presentes. No domingo pela manhã os ruídos foram ouvidos o dia inteiro por todos quantos se achavam em casa.
Na noite de sábado, 1º de abril, começaram a cavar na adega; cavaram até dar n'água; então pararam. Os sons não foram ouvidos nem na tarde nem na noite de domingo. Stephen B. Smith e sua esposa, minha filha Marie, bem como meu filho David S. Fox e sua esposa dormiram no quarto aquela noite.
Nada mais ouvi desde então até ontem. Antes de meio-dia, ontem, várias perguntas foram respondidas da maneira usual. Hoje ouvi os sons várias vezes.
Não acredito em casas assombradas nem em aparições sobrenaturais. Lamento que tenha havido tanta curiosidade neste caso. Isto nos causou muitos aborrecimentos. Foi uma infelicidade morarmos aqui neste momento. Mas estou ansiosa para que a verdade seja conhecida e uma verificação correta seja procedida. Ouvi as batidas novamente esta manhã, terça-feira, 4 de abril. As meninas também ouviram.
Garanto que o depoimento acima me foi lido e que é a verdade; e que, se fosse necessário, prestaria juramento de que é verdadeiro."
Assinado Margaret Fox
11 de abril de 1848
Assim também, no mesmo livro, são relatados demais depoimentos de proprietários anteriores que alegam ocorrências de ordem sobrenatural na residência.Mudavam-se logo, pois achavam a casa “mal assombrada”.
As escavações na adega
Através de combinação alfabética com as pancadas produzidas, as irmãs Fox teriam obtido a identidade daquele que supostamente produzia os sons. Tratar-se-ia de um mascate de nome Charles B. Rosma, o qual tinha trinta e um anos quando, quatro anos antes, teria sido assassinado naquela casa e enterrado na adega. O assassino teria sido um antigo inquilino o que, pela data, levou a deduzir que o crime poderia ter sido cometido pelo Sr. Bell. Os mais interessados em esclarecer o caso resolveram escavar a adega, visando encontrar os despojos do suposto assassinado.
As escavações não levaram a quaisquer resultados uma vez que não foram encontrados quaisquer indícios de restos mortais. Por essa razão foram suspensas.
Nesta altura já havia surgido ao menos um depoimento de quem se lembrava da passagem pela região de um certo mascate na mesma data em que o suposto espírito indicou como sendo o do seu assassinato. Esse depoimento, com riqueza de detalhes, descrevia o comportamento muito suspeito dos antigos proprietários da residência em Hydesville, o Sr. Bell e a esposa que, sozinhos, teriam recebido o mascate, tendo até dispensado os empregados da casa naqueles dias.
O movimento espiritualista espalha-se

As duas meninas, Margareth e Kate, foram afastadas de sua casa, pois se suspeitava que os fenômenos fossem ligados sobretudo à sua presença. Margareth passou a morar com o seu irmão David Fox. Kate mudou-se para Rochester, onde ficou em casa de sua irmã Leah, então casada e agora Sra. Fish. Entretanto, os ruídos insistiam em acompanhar as irmãs Fox; onde quer que elas se encontrassem, registravam-se os fenômenos. Agora se observava mesmo uma espécie de contágio, pois, Leah Fish, a irmã mais velha, passou a apresentar também fenômenos mediúnicos. Em pouco tempo, começaram a ser observados no seio de outras famílias.
          FATOS, EXAGEROS, FRAUDES, EXPLORAÇÃO DOS FENÔMENOS
          As chamadas faculdades psíquicas (ou mediúnicas) são orgânicas e independem da formação moral do indivíduo. As jovens envolvidas nos fenômenos de Hydesville não tiveram orientação para se conduzirem com equilíbrio. Passaram a fazer espetáculos públicos, foram exploradas. Tornaram-se alcoólatras. Mais tarde afirmaram o disparate de terem feito os “ruidos” com o “dedão do pé”, por estarem revoltadas com Leah que tomou a guarda dos filhos de Maggie.  Mas um ano após falsas denúncias de sua própria fraude e percebendo não ter atingido sua irmã Leah, Maggie decidiu desmentir a sua "confissão", alegando tê-la feito em troca de dinheiro de religiosos que se aproveitaram de sua situação de pobreza. Katherine Fox não voltou atrás em suas declarações, temendo retaliações.
          São estudados os fatos ocorridos em Hydesville por cientistas e estudiosos das ciências psíquicas e comprovada sua autenticidade (Espiritismo e Animismo; Aksakof, Alexander), as irmãs Fox faleceram poucos anos depois como médiuns respeitadas por vários estudiosos da moderna parapsicologia.
A descoberta do esqueleto
          Na edição de 23 de novembro de 1904 do Boston Journal foi notificada a descoberta do esqueleto de um homem  cujo espírito se supunha ter ocasionado os fenômenos na casa da família Fox em 1848. Alguns meninos de uma escola achavam-se brincando na adega da casa onde residiram os Fox, casa que tinha a fama de ser mal-assombrada. Em meio aos escombros de uma parede que existira na adega, os garotos encontraram as peças de um esqueleto humano.Junto ao esqueleto foi achada uma lata de um produto costumeiro usado por mascates. Esta lata encontra-se agora em Lily Dale, na sede central regional dos Espiritualistas Americanos, para onde foi transportada da velha casa de Hydesville.
Esclarecimentos importantes
  Lily Dale é a maior comunidade oficial de médiuns do mundo – e fica no Estado de Nova York. Divaldo Franco (orador e médium espírita brasileiro) já esteve algumas vezes em Lily Dale dando palestras sobre mediunidade, segundo a Doutrina Espírita e lá visitou um museu dedicado a preservar a história das irmãs Fox, inclusive dispondo da maleta do caixeiro-viajante Charles B. Rosma, cujo Espírito comunicou-se com as irmãs – fato que deu início ao Espiritualismo, em Hydesville/NY, em 1848. No DVD Divaldo Franco – Humanista e Médium Espírita“, há o registro do médium baiano, em Lily Dale – onde proferiu uma palestra diferenciando o Espiritismo do Espiritualismo Moderno. O que apresentamos até agora está ligado ao que conhecemos como ESPIRITUALISMO MODERNO que se instalou nos Estados Unidos, Inglaterra e em outras partes do mundo, porém de forma desorganizada, e um tanto confusa e mesclada de crenças diversas e posições diferentes. É o que move, por exemplo, a inspiração de roteiros de filmes americanos, com casos de reencarnação, vida após a morte, contatos com espíritos e outros temas afins. No entanto, em meio a procura de “uma luz” há muita fantasia, exageros, fraudes e interesse econômico. Médiuns ingleses e americanos, por exemplo, cobram por seus serviços. Lily Dale que surgiu para ser uma comunidade de médiuns a serviço do bem hoje é mais um ponto turístico. Se há Espíritos trabalhando pela caridade, não estão eles ao nosso dispor para fazermos espetáculos públicos de exibicionismo. É preciso cuidado. Daí, tanta fraude. ISSO NÃO É ESPIRITISMO.
          Como foi dito no início de nossa conversa, fenômenos sempre existiram. Relatamos um dos mais conhecidos e próximos à data de surgimento do Espiritismo. Mas o que há de diferente com o Espiritismo? O ESTUDO SISTEMATIZADO DOS FENÔMENOS, À LUZ DA RAZÃO, COM METODOLOGIA CIENTÍFICA. FILOSOFIA E CIÊNCIA. O Espírita primeiro analisa, investiga, para depois avaliar o fenômeno. Essa iniciativa de estudo sério dos fenômenos naturais (antes chamados de sobrenaturais) terá lugar na França, aproximadamente dez anos depois do caso de Hydesville. Aguarde nova postagem: o surgimento do Espiritismo na França.


Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer pedras e setas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provações
E em luta pôr-lhes fim? Morrer.. dormir: não mais.
Dizer que rematamos com um sono a angústia
E as mil pelejas naturais - herança do homem:
Morrer para dormir... é uma consumação
Que bem merece e desejamos com fervor.
Dormir... Talvez sonhar: eis onde surge o obstáculo:
Pois quando livres do tumulto da existência,
No repouso da morte o sonho que tenhamos
Devem fazer-nos hesitar: eis a suspeita
Que impõe tão longa vida aos nossos infortúnios.

Ato III, Cena I,Hamlet, Shakespeare.



 

Sou Espírita,ponto.

Certa vez, contou-me um amigo que, quando lhe perguntavam sobre a sua religião, respondia: "Sou Kardecista". Imediatamente retruquei:
  - E o que é ser kardecista?Que religião é essa?  E ele:
  - Ora, você também é.
  - Eu? Nada disso, sou espírita.
  - Ah, mas eu digo que sou kardecista, para não me confundirem com esse negócio de macumba. Aí, já vou deixando claro que sigo Allan Kardec.
  - Mas não existe Kardecismo. No meu caso, respondo: sou espírita.
  - E se pensarem que você bate tambor ou dança no terreiro?
  - Não me importo. O problema é de quem pensa.Mas se a pessoa insinuar algo a respeito, aí sim, explico o que seja Espiritismo, sem ofender os cultos africanistas.
  - O problema é que o povo embrulha tudo no mesmo saco com o nome de Espiritismo...
  - Veja bem, vamos fazer uma viagem ao passado. No tempo do Império, o Brasil tinha uma religião oficial, a Católica. Portanto, os seguidores de outras crenças ou cultos não eram bem vistos. Quando o Espiritismo chega por aqui, encontra também seus opositores. Imaginemos o seguinte: a Lei Áurea já foi assinada, dando aos negros a liberdade, embora  sem esperanças de autonomia econômica.  Agrupam-se os libertos, por exemplo, no centro do Rio de Janeiro ou nos arredores. Fazem ali os seus cultos e suas danças. Quando em espaços abertos, mantêm o nome de Terreiro; quando em espaços fechados, usam o nome Cabana. Daí o Terreiro de Pai Joaquim, Cabana de Vovó Cambinda e outros tantos. Agora já estamos em plena República. A religião oficial continua oficiosa e apoiada pelo Estado. A polícia invade os núcleos de práticas afrobrasileiras, usa de violência e prende seus líderes. Enquanto isso os Centros Espíritas (centros de estudo da Doutrina Espírita, como poderíamos ter centros culturais ou similares) conseguem alvará de funcionamento. Os donos de terreiros perceberam que se mudassem  o nome para Centro Espírita Pai Joaquim, não seriam mais perturbados pela polícia. E  pegou o nome.
   - Imaginemos que tenha começado assim a confusão. E agora?
   - Agora nos compete esclarecer a todos que nos perguntarem. Mesmo se não nos perguntarem. Umbandistas e candomblecistas  conscientes já se definem tais como são. E  podemos nos respeitar. Por que não? O Espiritismo respeita todos os credos , práticas e movimentos que procurem o BEM. Isso é que importa.
   - É, mas ainda prefiro dizer que sou kardecista. Sei lá, por via das dúvidas...
   -Bem, pode ser que você estivesse em algum daqueles terreiros do princípio do século XX e na dúvida, pela memória extracerebral das vias e ruelas do Rio antigo, ainda tenha medo da polícia...
   - Deixe de brincar com coisa séria!
   - Tudo bem! Agora me dê licença, porque vou dançar no terreiro ali da esquina.
   - O quê?! Terreiro?!
   - É um pagode, cara!
   - E afinal, como devo chamar minha religião: Espírita Kardecista, tá bom?
   - Você resolve. Quanto a mim, sou espírita, ponto.

Espiritismo: Por quê?


O Espiritismo tem despertado ultimamente a curiosidade de muitas pessoas, pois os preconceitos, que infelizmente ainda existem, vêm diminuindo graças à grande divulgação que se faz, através do cinema e da televisão, de ideias como a reencarnação, a comunicação com o chamado mundo espiritual e às pesquisas sobre experiências de quase morte e desdobramentos psíquicos. Acrescente-se ainda que o avanço científico, em linhas gerais, ao alcance dos leigos, pelos meios de comunicação, vem mostrando que o invisível existe. Isto é, qualquer pessoa de cultura mediana sabe que o fato de uma coisa ser invisível aos nossos olhos não quer dizer que não exista! Hoje temos aparelhos  que desvendam formas de vida que, no passado, o homem consideraria de impossível existência.Aparelhos eletrônicos e  fantásticos revelam o microcosmo e o macrocosmo. Os tipos  de energia existentes na construção da vida, a cada dia, são reconhecidos por cientistas, como tão reais quanto a matéria densa, esta que percebemos e tocamos, com nossos limitados sentidos. Enfim, à medida que a ciência avança em suas descobertas , o Espiritismo se torna cada vez mais atual. Diante dessa constatação, ser espírita ou, pelo menos, conhecer a Doutrina Espírita é uma escolha inteligente. Pois o Espiritismo estabelece um diálogo com a ciência, acompanha a evolução e a explica e não se intimida diante da História. O espírita, porque estuda e investiga, pensa a vida mais livremente, sem medo do novo ou do desconhecido.  Espiritismo é Igreja? Não. É Filosofia e Ciência. Por suas conclusões morais e pela interpretação lógica do Evangelho é Religião, sim. Mas, do ponto de vista filosófico. O Espiritismo é, na verdade, o cristianismo redivivo. Isto é, sem as distorções a que foi levada a Doutrina de Jesus após a sua "romanização". Jesus redivivo e compreendido com o auxílio das conquistas científicas já alcançadas no segundo oitocentos e do pensamento lógico. Assim é que nos perguntamos: Espiritismo, por quê? Porque é um caminho seguro para enfrentar os novos tempos. Uma fé que raciocina não está sujeita ao vento que derruba os castelos de ilusão das crenças mágicas e o formalismo  dogmático, pois  se constrói na rocha de saberes acumulados e renovados sempre, no fluxo do tempo.Informe-se, vale a pena.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Século XXI: Até quando os Espíritas irão repetir o cristianismo romanizado, negando o próprio Espiritismo?



        Permitam-me o emprego da primeira pessoa, pois a responsabilidade é totalmente minha. Sei a que público me dirigir, mas não sei como. Também não sei se me darão seus olhos de ler, se me concederão espaço e vez, se vão me ignorar, por ilustre desconhecida ou se vão me alijar do movimento, por atrevida, petulante ou obsedada. Porém, se não me acovardei, durante todo o tempo em que circulo no meio espírita, o que temerei agora?

          Há mais ou menos 20 anos, por caminhos simples, com base na Codificação, na obra de Lèon Denis – Cristianismo e Espiritismo – e em livros de História, preparei uma palestra com o tema Jesus: mito e verdade. Repeti muitas vezes a fala – em  Niterói, onde residia; também na região dos lagos - RJ; e, depois que me mudei para o interior, em localidades de Minas Gerais e do Espírito Santo. Sempre fui bem recebida, é bom que se diga. Fiz grandes amigos e os tenho no coração. Abordei – como abordo ainda – outros temas, claro, mas aquele a que me referi constituiu, durante bastante tempo, uma espécie de carro-chefe. Como se desenvolvia a ideia?  A partir do cuidado que teve Allan Kardec em esclarecer no primeiro parágrafo da Introdução a O Evangelho segundo o Espiritismo :

Podem dividir-se em cinco partes as matérias contidas nos Evangelhos: os atos comuns da vida do Cristo; os milagres; as predições; as palavras que foram tomadas pela Igreja para fundamento de seus dogmas; e o ensino moral. As quatro primeiras têm sido objeto de controvérsias; a última, porém, conservou-se constantemente inatacável. Diante desse código divino, a própria incredulidade se curva. (...) Essa parte é a que será objeto exclusivo desta obra. (destaque em negrito, nosso)
          Para um leitor razoável, essa advertência do Codificador traz em si mesma uma série de indagações. A primeira delas, e fundamental: que bases davam a Kardec tamanha segurança para afirmar que apenas o ensino moral de Jesus não era motivo de controvérsias? Apenas o aval dos Espíritos Superiores?  Sabemos que as revelações recebidas dos Espíritos eram submetidas ao critério da universalidade dos ensinamentos e da sua concordância, passavam pelo crivo da razão. A fé espírita há de ser sempre raciocinada justamente para encarar a ciência em todas as épocas. Mas não havia necessidade de os Espíritos revelarem as controvérsias. Elas eram mais que evidentes. Grandes filósofos já haviam matado Deus. O Deus da Igreja, claro.
          Ora, já em sua época, Kardec era um dos expoentes da intelectualidade de Paris. Como professor, conhecedor da História, saberia dos mandos e desmandos da Igreja Romana, como revela em outros escritos – sobretudo nos comentários que faz em O Céu e o Inferno. Acrescente-se que foram seus contemporâneos inúmeros pensadores ousados que fizeram da segunda metade do século XIX um viveiro efervescente de ideias que iriam acelerar as grandes mudanças do século XX. No tema que nos interessa destacamos o historiador Ernest Renan. Educado num seminário, tendo passado por crise religiosa, Renan que possuia formação, também em Ciências Naturais, era muito culto, conhecia, inclusive, a língua hebraica. Abandona a carreira eclesiástica e se torna professor. Rejeita o sobrenatural, dedica-se à ciência positiva. Faz estudos arqueológicos na Fenícia.
Nessa época é que inicia a sua obra A Vida De Jesus. Em 1862 foi nomeado professor de hebraico no Collège de France, mas, após sua primeira aula, onde chamara Jesus de ‘homem incomparável’, seu curso foi suspenso pelo governo de Napoleão III, curso depois suprimido até 1870. Em 1864-1865, uma segunda viagem ao oriente o ajudou a preparar a seqüência, que ele meditava, da ‘Vida de Jesus’, uma das obras mais célebres do século XIX, rapidamente traduzida em quase todas as línguas. Renan era o primeiro em França a vulgarizar a exegese alemã de David Friedrich Strauss, segundo a qual a vida de Jesus nada tinha de intervenção sobrenatural. Em 1863, inicia a sua História das origens do Cristianismo (1863-1883), rejeitando toda a noção de mistério. (http://pt.wikipedia.org/wiki/. Acesso em 27/11/11)
          Em poucas pinceladas temos ideia de quem foi Ernest Renan. Figura polêmica que, ao final da vida era tido por agnóstico, embora se dissesse apenas anticlerical.  No entanto, temos uma referência a Renan em Obras Póstumas. Vejamos:
Pergunta. (a Erasto). – Que efeito produzirá A vida de Jesus, por Renan?
Resp. – O efeito será imenso; o rumor será grande no clero, porque esse livro transtorna os próprios fundamentos do edifício sob o qual se abriga há dezoito séculos. Esse livro não é irrepreensível, longe disso, porque é o reflexo de uma opinião exclusiva que circunscreve sua visão no círculo estreito da vida material. O Sr. Renan, no entanto, não é materialista, mas é dessa escola que, se não nega o princípio espiritual, não lhe atribui nenhum papel efetivo e direto na condução das coisas do mundo. É desses cegos inteligentes que explicam, à sua maneira, o que não podem ver; que, não compreendendo o mecanismo da visão à distância, pensam que não se pode conhecer uma coisa senão tocando-a. Também reduziu o Cristo às proporções do homem mais vulgar, negando-lhe todas as faculdades que são o atributo do Espírito livre e independente da matéria.Entretanto, ao lado de erros capitais, sobretudo no que toca à espiritualidade, esse livro contém observações muito justas, que escaparam até aqui aos comentaristas, e que lhe dão uma alta importância, de certo ponto de vista. O seu autor pertence a essa legião de Espíritos encarnados que se podem chamar os demolidores do velho mundo; têm por missão nivelar o terreno sobre o qual se edificará um mundo novo, mais racional. Deus quis que um escritor, justamente reputado diante dos homens, do ponto de vista do talento, viesse lançar luz sobre certas questões obscuras e maculadas por preconceitos seculares, a fim de predispor os Espíritos às novas crenças. Sem disso desconfiar, o Sr. Renan aplainou o caminho para o Espiritismo.PARIS, 14 DE OUTUBRO DE 1863. – MÉD. SR. d’A... (Destaque em negrito, nosso)
        Erasto responde a Kardec, meus amigos. A obra de Renan é falha, claro, mas o autor fez parte “dessa legião de Espíritos encarnados que se podem chamar os demolidores do velho mundo”. De quando data a resposta de Erasto? 1863!
         Em três meses a obra de Renan teve oito edições. Foi traduzida em praticamente todas as línguas modernas, mas no Brasil, só foi editada em 2004, pela Martin Claret. Antes disso, os brasileiros que leram Renan, em português, agradecem a Portugal: Lello &Irmão Editores (Porto).Foi o meu caso, que tomei o livro emprestado de um amigo na década de 1980, numa das reedições portuguesas. Por que a obra não tinha sido traduzida no Brasil, contrariando os princípios racionais de Renan, é algo que talvez tenha causas “sobrenaturais”.
        A "Vida de Jesus" de Ernest Renan é uma obra que incomoda leitores ortodoxos ou superzelosos pelos textos bíblicos. Atualmente, já não causa tanto deslumbramento quanto na época em que foi lançada, pois as recentes descobertas arqueológicas vieram a confirmar muito do que Renan asseverou no século XIX, diminuindo assim o poder de impacto da obra. Erasto tinha razão?
        No processo de desmitificação de Jesus que temos em Renan, vemos que no primeiro capítulo o historiador simplesmente apresenta o mestre como nascido em Nazaré. Em muitas outras passagens Renan faz referências ao fato de os textos dos evangelhos ditos canônicos terem sido alterados pela Igreja. Claro que muito escapou a Renan. Mas ele foi um dos “demolidores” da mentalidade mágica.
        Kardec sabia disso? Claro que sim! E nós? Deveríamos saber!!! Pois, além da pista fantástica que nos é fornecida pelo primeiro parágrafo da Introdução a O Evangelho segundo o Espiritismo, temos a referência a Renan em Obras Póstumas e os demais comentários de Kardec, elucidando, junto às respostas dos Espíritos o que é essencial de Jesus, isto é, o que importa de fato.
        Atualmente temos historiadores respeitados, alguns de formação católica, outros não religiosos, que também se debruçam sobre o que se chama o Jesus Histórico. Suas informações coincidem em muitos pontos: é quase certo que Jesus tenha nascido mesmo em Nazaré; se houve algum recenseamento – o mais próximo seria o de Quirino e sua data não coincide com a época presumida para o nascimento do Cristo – não havia necessidade de uma família se deslocar para sua cidade de origem (no caso, José, para Belém) e daí por diante. Enfim, o que está colocado “em cheque” por Kardec, no citado primeiro parágrafo da Introdução ao Evangelho segundo o Espiritismo continua “em cheque”.
        O Espiritismo não faz referência, portanto, ao nascimento de Jesus, a outros dados biográficos; derruba a ideia de “milagre” como derrogação das leis naturais, recupera a chave da reencarnação, desconhece “as passagens” nas quais a Igreja se baseou para criar dogmas, muitas delas, segundo os investigadores, fruto de interpolações e alterações, algumas já conhecidas na época de Renan e muitas com- provadas em pesquisas recentes.
        Além de Historiadores temos pesquisadores espíritas que também fazem as suas investigações, sem dúvida, cuidadosas e sérias. Mas voltemos no tempo para encontrar Leon Denis. Em sua obra Cristianismo e Espiritismo – ainda que deixemos à parte as colocações pessoais e interpretações do autor – verificamos na resenha histórica da evolução do Cristianismo, as referências a vários Concílios que determinaram modificações nos textos evangélicos, a partir da tradução de Jerônimo, conhecida como Vulgata e reconhecida pelo próprio tradutor como alterada em seu sentido original, devido à dificuldade de sintetizar textos tão diferentes em apenas 4 evangelhos, atribuidos a Mateus, Marcos, Lucas e João.
        Bom, continua a valer Kardec. Mas busquemos algo mais nos livros de história universal: os hebreus. A origem do seu nome é duvidosa. Segundo alguns ele deriva de khabiru ou habiru, apelativo dado pelos seus inimigos e significando "estrangeiro", "vagabundo" ou "nômade". De acordo com outras autoridades ele se relaciona com a palavra Ever ou Eber, a qual designava os que procediam do outro lado do Eufrates. Seja qual for a sua origem, o nome parece ter sido aplicado originalmente a vários povos imigrantes, restringindo-se mais tarde aos israelitas. A maioria dos historiadores admite que o berço primitivo dos hebreus fosse o Deserto da Arábia. A primeira vez que os fundadores da nação de Israel aparecem na história é, contudo, no noroeste da Mesopotâmia. Já em 1.800 a.C., segundo todas as probabilidades, um grupo de hebreus sob a chefia de Abraão se estabelecera ali. Mais tarde o neto de Abraão, Jacó, conduziu uma migração para o poente e iniciou a ocupação da Palestina. Foi de Jacó, subseqüentemente chamado Israel, que os israelitas derivaram o seu nome. Em época incerta, mas posterior a 1.700 a.C., algumas tribos israelitas, em companhia de outros hebreus, desceram ao Egito para escapar às conseqüências da fome. Segundo parece, instalaram-se nas vizinhanças do Delta e foram escravizados pelo governo do Faraó. Por volta de 1300-1250 a.C. os seus descendentes encontraram um novo líder no indômito Moisés, que os libertou da servidão, conduziu-os à Península do Sinai e converteu-os ao culto de Iavé. Até então Iavé tinha sido a divindade dos povos pastores hebreus que habitavam o Sinai. Utilizando como núcleo o culto iavista, Moisés uniu as várias tribos de seus seguidores numa confederação por vezes chamada Anfictionia de Iavé. Foi essa confederação que desempenhou o papel dominante na conquista da Palestina ou Terra de Canaã. Como refúgio para os filhos de Israel, a Palestina deixava muito a desejar com suas chuvas escassas e sua topografia escabrosa. Era, em grande parte, uma região estéril e inóspita. Comparada, porém, com os desertos da Arábia, representava um verdadeiro paraíso e não surpreende que os condutores do povo de Israel a tenham descrito como uma "terra que emana leite e mel". Grande parte dela já estava ocupada pelos cananeus, outro povo de língua semita, que lá viveu durante séculos. Graças ao contato com babilônios, hititas e egípcios, os hebreus haviam desenvolvido uma cultura que nada tinha de primitiva. Praticavam a agricultura e o comércio. Conheciam o uso do ferro e a arte de escrever, e tinham adaptado as leis do código de Hamurabi às necessidades de sua existência mais simples. Sua religião, que também se derivava em grande parte de Babilônia, era cruel e sensual, incluindo sacrifícios humanos e a prostituição no templo. Foi um processo lento e difícil a conquista hebraica da terra de Canaã. Poucas vezes as tribos se uniram num ataque combinado e, mesmo quando o faziam, as cidades inimigas estavam assaz fortificadas para resistir à captura. Depois de se empenharem varias gerações em lutas esporádicas, os hebreus conseguiram tomar unicamente as colinas de pedra calcária e alguns dos vales menos férteis. Nos intervalos das guerras, misturavam-se livremente com os cananeus e adotaram não pequena parcela de sua cultura. Antes de terem oportunidade de completar a conquista, encontraram-se em face de um inimigo novo e mais terrível: os filisteus, que chegaram à Palestina, procedentes da Ásia Menor e das ilhas do mar Egeu. Mais fortes que os hebreus e os cananeus, os novos invasores ocuparam rapidamente o país e forçaram os hebreus a entregar grande parte do território que já haviam ganho. É dos filisteus que a Palestina deriva o seu nome.     
        Enfim passaram os hebreus pela mesopotâmia, primeiro por origem, depois em cativeiro; demoraram-se cera de 400 anos entre os egípcios, por que não teriam recebido influência desses povos
*    Sabe-se que a ideia do monoteísmo foi implantada por Moisés, um  iniciado no Egito(?)
*    Consta da antiga mitologia egípcia a comemoração da passagem do inverno para a primavera – quando os tempos de infertilidade eram sucedidos pelos tempos de volta da fartura. Nos rituais ligados à natureza: deus morto/deus ressurrecto (conhecido também em outras antigas civilizações) No caso de Egito, Osiris era morto – tempo de seca – assassinado por seu irmão; sua irmã e esposa, Isis providenciava a busca de seu corpo que havia sido esquartejado e jogado no rio Nilo. Enquanto isso, a imagem de Osiris era conduzida para o templo de Isis, ali ficando guardada. Quando Isis conseguia “ressuscitar Osiris” – isto é, quando voltavam as chuvas, o trigo era plantado e vinha a fartura – fazia-se a festa do “deus ressurecto”. A imagem de Osiris era carregada em procissão até o seu templo, de volta, festivamente; indo o sumo sacerdote à frente, carregando numa ânfora de ouro os pãezinhaos ázimos simbolizando o corpo do deus. Ao chegarem ao templo de Osiris, os demais sacerdotes “comiam do pão’ recebendo o corpo do deus, para fortalecê-los em saúde e fé e para trazer prosperidade para todos. Era uma espécie de festa da messe. Daí, missa. Os rituais das civilizações primeiras eram ligados à passagem das estações e tinham significado profundo e poético. Também na festa de passagem (pessach/páscoa/travessia), os egípcios, como outros povos, tinham o costume de abater um animal de médio porte, que era oferecido aos deuses, em agradecimento, pela volta do sol, da chuva e da fartura. A família se reunia numa ceia, e as partes nobres da carne eram queimadas para os deuses, enquanto a família dividia entre si um pequeno pedaço da carne. Pois foi justamente na época da “páscoa egípcia” que o povo hebreu se libertou, saindo em busca da Terra Prometida, sob a liderança de Moisés. Daí pra frente. Moisés determina que naquela data os hebreus iriam sempre comemorar a sua “travessia”.Fundem-se na páscoa cristã três vertentes facilmente encontradas nos livros de história e de mitologia das civilizações antigas: as festas agrícolas de passagem      do inverno para a primavera, com suas oferendas aos deuses; a pessach do povo hebreu – comemoração de sua saída do Egito para a Palestina, e, posteriormente, porque Jesus foi crucificado justamente nesse período, a sua “ressurreição”. Na origem, as festas agrícolas, a simbologia do trigo e do pão.
        Os livros de História, Mitologia e Antropologia narram todas essas travessias, esses ritos de passagem, em civilizações diversas. O Espiritismo é claro: mostra Jesus como guia e modelo para toda a humanidade, pelos seus ENSINAMENTOS MORAIS. Kardec “descarta” as partes duvidosas dos Evangelhos da Bíblia, orientado pelos Espíritos Superiores e alicerçado no bom-senso e nos seus próprios conhecimentos. Quando os espíritas vão compreender a importância desse fato para  os novos tempos?
Aguarde nova postagem. Continuaremos com os deuses solares e a festa a Mitra, no 25 de dezembro.

Bibliografia:
BURNS,E. História da Civilização Ocidental.São Paulo: Globo, 1959.
DENIS, L. Cristianismo e Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 1981.
FRAZER,J. O Ramo de Ouro. Rio de Janeiro: LTC, 1982.
KARDEC,A. O Evangelho segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 112ª edição.